PRODUÇÃO DE CREME DENTAL

27.07.21

Já tem muito tempo que a pasta de dente é parte importante da higiene humana. Tecnicamente conhecida como dentifrício, a […]

Já tem muito tempo que a pasta de dente é parte importante da higiene humana. Tecnicamente conhecida como dentifrício, a pasta de dente de hoje pode ser encontrada em várias formas. Mas seja qual for a marca que você usa, todos os cremes dentais fazem praticamente a mesma coisa: retiram o filme de partículas de alimentos e bactérias da superfície dos seus dentes.

As pastas de dente de hoje são maravilhas da química moderna e têm dezenas de ingredientes. No entanto, todas elas compartilham um conjunto de ingredientes em geral, são eles:

Flúor

Este ingrediente essencial se incorpora ao esmalte dos dentes, tornando-os mais resistentes à ação de ácidos presentes nos alimentos ou da placa bacteriana.

  • Fluoreto de sódio: além do seu uso na prevenção de cáries, ele também é empregado na fabricação de inseticidas, preservantes de madeira e fluoretação da água potável. Quando ingerido em grandes quantidades, pode ser fatal.

Espessantes

Estes são os compostos que deixam a pasta de dentes com textura de gel, fazendo com que o creme tenha um aspecto espesso e viscoso. São eles:

  • Carbômero 956: uma das matérias-primas mais utilizadas pela indústria de cosméticos, também é empregado na fabricação de gel para os cabelos, protetores solares, cremes e antissépticos;
  • Carregenina: faz parte da família dos polissacarídeos e é obtida a partir do extrato de algas vermelhas;
  • Carboximetilcelulose de sódio: é um polímero derivado da celulose muito solúvel em água e fisiologicamente inerte, que também é utilizado como cola de origamis.

Detergentes

Imagine escovar os dentes com uma mistura que não faz espuma! Seria muito sem graça, não é mesmo? Para que os cremes dentais tenham essa característica, é necessário adicionar uma série de produtos à sua formulação:

  • Lauril sulfato de sódio: provavelmente o mais comum dos detergentes, também pode ser usado na fabricação de shampoos, géis de banho, cremes de barbear e em algumas aspirinas solúveis. Entretanto, pode causar aftas em pessoas mais susceptíveis.

Abrasivos

São minúsculos cristais adicionados à composição do creme dental que funcionam como uma espécie de lixa sobre os nossos dentes, removendo pequenas manchas e impurezas, além de “polir” a superfície. Os mais comuns são:

  • Sílica hidratada: derivada do dióxido de silicone, também pode ser encontrada na forma de areia ou quartzo; tem a aparência de um gel transparente;
  • Mica: é um filossilicato também usado na fabricação de capacitores de radiofrequência e isolantes elétricos.

Colorantes

Imagine o que seria dos cremes dentais sem os colorantes? Com tantos produtos químicos utilizados na fabricação das pastas, sua coloração seria provavelmente bem bizarra e desagradável.

  • D&C Amarelo 10 e D&C Vermelho 30: são colorantes sintéticos provenientes do petróleo ou anilina, apresentando um cheiro parecido com o da naftalina.
  • Azul brilhante FCP: colorante sintético derivado do petróleo e muito usado na indústria alimentícia;
  • Dióxido de titânio: é ele que deixa a pasta de dentes branquinha.

Umectantes

São eles que dão ao creme dental sua textura e evitam que se resseque. Confira alguns deles:

  • Propilenoglicol: derivado animal de aparência oleosa, este composto é incolor, além de não apresentar odor ou sabor. Também é usado como fixador de perfumes, anticongelante e lubrificante íntimo, podendo causar alergias e urticária.
  • Polietilenoglicol 8 e 12: polímero formado a partir do etileno glicol que, além de prevenir que a pasta perca água, também age como um estabilizante; tem o seu uso controlado por poder apresentar muitas impurezas.

Preservantes

As pastas de dentes, por ficarem expostas por um considerável período de tempo e não precisarem ser guardadas na geladeira, necessitam de preservantes para evitar a proliferação de micro-organismos.

  • Benzoato de sódio: é um pó branco de sabor adocicado e levemente adstringente que, além de conservante, pode ser usado como bactericida e fungicida. Se misturado à vitamina C, pode formar o benzeno, que é um composto cancerígeno.

Emulsificantes

São compostos químicos que permitem que todos os ingredientes utilizados na fabricação da pasta de dentes se misturem de forma uniforme, evitando que se separem. Alguns dos mais usados são:

  • Glicerol: composto de origem animal de sabor adocicado, ele não deixa que a pasta de dentes seque e ajuda a preservar o produto;
  • Cocamidopropil betaína: ingrediente derivado do óleo de coco, ele ajuda a manter a consistência e sabor da pasta.

Sabor

No fim das contas, a maioria de nós opta por uma ou outra marca de creme dental principalmente pelo sabor. Depois da lista de ingredientes que você acabou de ler, imagine que sabor a sua pasta de dentes favorita teria se não fossem os adoçantes e agentes de sabor. Confira alguns deles:

  • Sacarina sódica: deixa o creme dental com um sabor adocicado, além de ser um conhecido adoçante artificial muito utilizado na indústria alimentícia;
  • Sorbitol: além de manter a consistência do creme dental, esta substância é um poderoso adoçante que não provoca cáries; também é empregada na fabricação de laxantes e diuréticos.
  • Hidróxido de sódio: também conhecido como soda cáustica, pode ser usado na fabricação de papel, tecidos, biodisel e alimentos. Na pasta de dentes, é usado para neutralizar o pH dos outros ingredientes.

As primeiras misturas usadas para limpar os dentes tinham exatamente a mesma função que as atuais — limpar os dentes e as gengivas, refrescar o hálito e prevenir as cáries e a queda dos dentes —, mas eram feita com ingredientes bem rudimentares. A pasta de dente mais antiga que conhecemos era feita das cinzas do casco de boi misturadas com cascas de ovos carbonizadas e pedra-pomes. Esses ingredientes se combinavam para formar um abrasivo capaz de limpar os dentes sem a necessidade de uma escova. Os gregos e romanos deram um passo adiante adicionando ossos e conchas à mistura, enquanto os chineses optaram por uma combinação de ginseng, ervas e sal.

No entanto, demorou até o século XIX para que algo mais próximo da pasta dental de hoje fosse inventado. Tratava-se de uma espécie de pó para os dentes e acredita-se que ele foi inventada pelos britânicos, vindo dos cataplasmas caseiros feitos com coisas como giz, carvão, pó de tijolo, sal e até mesmo pão queimado com canela. Muitas dessas misturas se mostraram excessivamente abrasivas e acabavam levando o esmalte dos dentes junto com a sujeira. Mesmo assim, elas permaneceram como o método mais popular de limpeza dentária até a Primeira Guerra Mundial.

Na virada do século XX a tecnologia da pasta de dente felizmente evoluiu de esfregar minerais esmagados nos dentes para o uso de uma mistura pastosa de peróxido de hidrogênio e bicarbonato de sódio. Na mesma época, um médico de Connecticut, o Dr. Washington Sheffield, inventou o tubo dobrável de pasta de dente e como ela era mais fácil de aplicar do que os pós para limpeza dentária, ela acabou ganhando o mercado e se popularizando.

Como esse potente coquetel químico antibacteriano banhando os seus dentes diariamente, as pastas de dente evoluíram, desde a virada para o século XX, de produtos cosméticos simples para guardiões multi-funcionais da saúde bucal que podem te ajudar a manter os seus dentes brancos e saudáveis.

fonte: amoodontologia

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